Como utilizar live reload para melhorar sua produtividade

Se você se sente incomodado em ter que parar sua aplicação e fazer go run novamente toda vez que faz uma alteração, esse post vai melhorar sua vida… e MUITO.

Nesse post vou te mostrar como fazer live reload de aplicações Go utilizando uma ferramenta open source chamada Air (https://github.com/cosmtrek/air).

Para testar as funcionalidades da ferramenta, vamos escrever um pequeno programa que retorna um “Olá mundo”.

Vamos inicializar um novo módulo com o comando go mod init github.com/aprendagolang/live-reload e criar um arquivo main.go com o seguinte conteúdo.

package main

import (
    "net/http"

    "github.com/go-chi/chi/v5"
)

func main() {
    r := chi.NewRouter()

    r.Get("/", func(rw http.ResponseWriter, r *http.Request) {
        rw.Write([]byte("Olá Mundo"))
    })

     http.ListenAndServe(":8080", r)
}

Como estamos utilizando uma dependência externa, vamos executar o go mod tidy para atualizar nosso go.mod, que deve ficar parecido com isso:

module github.com/aprendagolang/live-reload

go 1.18

require github.com/go-chi/chi/v5 v5.0.7

Com nosso pequeno programa escrito, vamos instalar o Air.

Por ser escrito em Go, podemos fazer sua instalação utilizando o próprio install do Go.

go install github.com/cosmtrek/[email protected]

Para testar se deu tudo certo com a instalação, execute um air -v no seu terminal. Se a instação ocorreu sem problemas, você deverá ver o seguinte output:

Agora vamos criar um arquivo de configuração para o Air com o comando air init. Esse comando irá criar um arquivo chamado .air.toml com o seguinte conteúdo.

root = "."
testdata_dir = "testdata"
tmp_dir = "tmp"

[build]
  args_bin = []
  bin = "./tmp/main"
  cmd = "go build -o ./tmp/main ."
  delay = 1000
  exclude_dir = ["assets", "tmp", "vendor", "testdata"]
  exclude_file = []
  exclude_regex = ["_test.go"]
  exclude_unchanged = false
  follow_symlink = false
  full_bin = ""
  include_dir = []
  include_ext = ["go", "tpl", "tmpl", "html"]
  kill_delay = "0s"
  log = "build-errors.log"
  send_interrupt = false
  stop_on_error = true

[color]
  app = ""
  build = "yellow"
  main = "magenta"
  runner = "green"
  watcher = "cyan"

[log]
  time = false

[misc]
  clean_on_exit = false

[screen]
  clear_on_rebuild = false

Uma pequena mudança que eu gosto de fazer é mudar o time para true. Porém se você não quiser, não precisa alterar nada nesse arquivo.

Agora tudo que precisamos fazer é executar o comando air no terminal e nosso live reload já estará funcionando.

Para testar o live reload, vamos modificar o nosso r.Get("/", ... para o seguinte:

r.Get("/{name}", func(rw http.ResponseWriter, r *http.Request) {
    name := chi.URLParam(r, "name")

    rw.Header().Add("Content-Type", "application/json")
    json.NewEncoder(rw).Encode(map[string]string{
        "message": fmt.Sprintf("Olá %s!!!", name),
    })
})

Como podemos ver no terminal, a aplicação foi recompilada automaticamente.

É isso, espero que essa dica ajude a melhorar sua produtividade.

Deixem suas dúvidas nos comentários.

Até a próxima!


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Como executar migrations de forma automatizada

Se você não é muito fã de ORMs como eu, um dos problemas que você mais enfrenta é o de como realizar alterações em seu banco de dados de forma segura e automática.

Nesse post, vou mostrar como fazer isso utilizando o Migrate (https://github.com/golang-migrate/migrate), um projeto open source escrito em Go para realizar migrations em bancos de dados.

Antes de começar, embora os exemplos contidos nesse tutorial serem utilizando postgres, o Migrate suporta os seguintes bancos de dados:

mongodb+srv, firebirdsql, clickhouse, cockroachdb, mongodb, mysql, sqlserver, cassandra, crdb-postgres, postgres, postgresql, spanner, stub, cockroach, neo4j, pgx, redshift, firebird.

Tendo esclarecido esse ponto, vamos iniciar um projeto com nome github.com/aprendagolang/migrate (go mod init github.com/aprendagolang/migrate) e depois escrever uma pequena API.

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Entenda o que são os arquivos go.mod e go.sum

Se você já trabalhou ou conhece um pouco de outras linguagens, podemos comprar o arquivo go.mod ao package.json do JS, composer.json do PHP ou requirements.txt do Python.

Ou seja, o arquivo go.mod, nada mais é do que o arquivo onde o Go vai gerenciar a lista de pacotes que sua aplicação precisa para funcionar.

Além das dependências, é nesse arquivo onde o Go adiciona o nome do seu package e a versão do Go que estava sendo utilizada no momento da criação do projeto.

Essa segunda informação é muito valiosa, pois com base nela o Go vai saber quais versões das dependências externas ele pode ou não utilizar.

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Como trabalhar com herança em Go

Uma dúvida que tenho visto com certa frequência é sobre as classes e herança em Go.

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Tento esclarecido isso, vamos ver como podemos utilizar “herança” em Go imaginando um banco de dados com 4 tabelas.

imagem meramente ilustrativa 😉
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Como fazer encadeamento de métodos (chaining)

Chaining de métodos é uma técnica muito utilizada em linguagens como PHP, Java e C#. Se você não está familiarizado com o termo, não se preocupe, pois essa é uma técnica muito simples. Ela consiste em retornar um objeto para que outro método possa ser chamado sem a necessidade de atribuição a uma outra variável.

Essa técnica é muito utilizada em ORMs como o GORM, para construção de queries mais complexas.

No vídeo que postamos no nosso canal do youtube mostrando como construir uma API completa com go-chi e postgres (link para o vídeo), também podemos ver essa técnica sendo utilizada para fazer o decode da request para uma struct.

Para entender melhor seu funcionamento, vamos criar uma struct com 100% de seus atributos privados.

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Por isso, resolvi fazer esse post para mostrar tudo o que você pode fazer com go-chi.

Para começar, vamos escrever um código muito simples para criar uma rota com o verbo GET.

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